STJ:Servidora que tomou posse por decisão judicial não confirmada consegue manter aposentadoria
  
Escrito por: Mauricio Miranda 05-04-2017 Visto: 317 vezes


Notícia extraída do site do Superior Tribunal de Justiça:



DECISÃO



5/4/2017 8h46min



Servidora que tomou posse amparada em decisão judicial não confirmada consegue manter aposentadoria



A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu mandado de segurança para manter a aposentadoria de uma auditora fiscal do trabalho que havia sido nomeada para o cargo público com amparo em medida judicial precária.



O concurso prestado pela auditora teve duas etapas: provas e curso de formação. Não tendo sido considerada aprovada na primeira etapa, ela impetrou mandado de segurança e obteve liminar que lhe permitiu continuar na disputa e realizar a segunda etapa.



Terminado o curso de formação, ainda sob o amparo da liminar, foi ajuizada ação ordinária com pedido de nomeação para o cargo, que assegurou Ó candidata o direito de tomar posse. Ela exerceu o cargo por vários anos, até se aposentar.



Nomeação sem efeito



A sentença no mandado de segurança também foi favorável Ó servidora, mas, muito tempo depois da aposentadoria, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu provimento a recurso da União e cassou a decisão que havia permitido sua participação na segunda fase do concurso.



Após processo administrativo, foi editada portaria tornando sem efeito a nomeação para o cargo e, consequentemente, a aposentadoria. A auditora entrou no STJ com mandado de segurança contra o ato da administração.



O relator, ministro Herman Benjamin, esclareceu inicialmente que o êxito na ação ordinária não assegurou Ó fiscal o direito ao cargo, pois tal ação era dependente do resultado do mandado de segurança anterior, o qual buscava garantir a aprovação na primeira etapa do concurso. Como a decisão final no mandado de segurança foi desfavorável Ó servidora, considera-se que ela não foi aprovada, perdendo assim o direito de nomeação que havia buscado com a ação ordinária.



O ministro reconheceu também que o entendimento do STJ e do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que candidato nomeado com amparo em medida judicial precária não tem direito a permanecer no cargo se a decisão final lhe é desfavorável.



Tanto é assim, disse o ministro, que se ela ainda estivesse exercendo o cargo não haveria irregularidade no seu afastamento depois do trÔnsito em julgado da decisão judicial desfavorável sobre sua participação no concurso.



Situação excepcionalíssima



No entanto, observou Herman Benjamin, a aposentadoria da servidora constituiu situação excepcionalíssima.



“Embora o vínculo de trabalho fosse precário, o vínculo previdenciário, após as contribuiç˘es previdenciárias ao regime próprio, consolidou-se com a reunião dos requisitos para a concessão de aposentadoria”, explicou o ministro.



De acordo com Herman Benjamin, a legislação federal estabelece a cassação da aposentadoria apenas nos casos de demissão do servidor público e de acumulação ilegal de cargos (artigo 133, parágrafo 6º, e artigo 134 da Lei 8.112/90). Não há, portanto, respaldo legal para impor a mesma penalidade quando o exercício do cargo é amparado por decis˘es judiciais precárias e o servidor se aposenta por tempo de contribuição durante esse exercício após legítima contribuição ao sistema.



Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):MS 20558



 


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